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História de OGUM MEGÊ na vida de Pai Neco de Oxalá

Por Pai Neco de Oxalá

 

A minha história com Ogum Megê começou, na data da revolução 1964 com  minha mãe, Therezinha de Oxalá, morava no bairro de Ipanema, na cidade de Porto Alegre-RS e recebeu uma entidade diferentes das outras que recebia, chegou dizendo-se Ogum Megê e trabalhava com uma ponteira. Nesta época minha mãe trabalhava com a cabocla Iara, Cabocla Jurema, com o Preto Velho e com o Pena Verde. Em 1964 quando aconteceu o golpe de estado no Brasil, meu pai era do exército e perdeu a patente, então Ogum Megê chegou dizendo que a partir daquela data o Cacique da casa da minha mãe, Therezinha de Oxalá, seria ele; inclusive o nome da casa da minha mãe teve que ser mudado na época, passou-se a chamar “Centro de Umbanda Africano Ogum Megê”.

O bonito disso é que essa entidade sempre fui eu o cambono dele. Meu Pai conduzia minha mãe para rua incorporada com Ogum Megê para atender 10 a 30 pessoas, e eu acompanhava junto, tinha cinco a seis anos quando comecei a cambonar Ogum Megê e ele me disse assim: “eu sou teu cacique e vou ser sempre o cacique da tua casa” e eu cresci com isso.

Outro detalhe importante, meu Pai de Santo Pai Vinicius de Oxalá, o cacique da casa dele era Ogum Megê e eu com doze para treze anos quando cheguei na casa do meu pai de santo acontecia uma obrigação de Exu e na semana seguinte teria uma obrigação para Ogum.   Quando encontrei com o Pai Vinicius incorporado de Ogum Megê de capa, espada na mão, charuto e um copo de cerveja, a entidade abriu os dois braços e disse: “Meu filho (fui abraça-lo pois era meu pai de santo, cavalo e não sabia quem era) nunca esqueça vou ser sempre teu cacique”. Para minha surpresa a história do Ogum da minha mãe, Therezinha de Oxalá, ele não sabia, não tinha como saber, não tinham convívio juntos. Então Ogum Megê do Pai Vinicius disse: “vou ser sempre teu cacique e tu sempre vai tocar para mim, sempre que eu chegar no mundo”.   A partir deste dia passei a tocar para o Ogum Megê do Pai Vinicius de Oxalá, também.

Portanto que história interessante, comecei com o Ogum Megê da minha mãe depois com o Ogum Megê junto com o meu pai de Santo.

Em 1989 eu separei a minha casa de religião da casa de religião da minha mãe, pois até 1989 a casa de religião que existia Centro de Umbanda Africano Ogum Megê era meu e de minha mãe. A partir deste ano abri minha própria casa com uma sessão de Exu. O curioso é que me perguntava onde estava meu cacique? Pois eu não recebo nada na linha da Umbanda, foi quando aconteceu mais uma coisa interessante.

 Ana Lucia, hoje Yalorixá Mãe Ana de Oya, já era mãe pequena da minha casa e no início de abril de 1990, numa homenagem a Ogum que eu estava fazendo no meu Ilê que ficava no Bairro Serraria na cidade de Porto Alegre/RS, a Ana incorpora Ogum Megê, ela recebia uma Iansã na umbanda. Nesta homenagem para Ogum a Ana recebe quem, quem? Ogum Megê que veio dançando.  Aproximei dele para cumpartimentá-lo, ele me abraçou e me disse seu nome: “sou Ogum Megê e vim para lhe servir”. Na hora entendi a mensagem era o cacique da minha casa novamente vindo para mim.

O meu primeiro cacique foi Ogum Megê da minha mãe Therezinha de Oxalá, depois na continuação entrou o Ogum Megê do Pai Vinicius de Oxalá. Em 89 abro minha casa sozinho e não tendo a entidade caboclo em alguns meses Ana Lucia recebe meu cacique amado que está comigo até os dias de hoje OGUM MEGÊ.

A partir de 1989 começa um novo ciclo, antigo pela história da entidade de Ogum Megê na minha vida, são 54 anos que esta entidade me acompanha e sempre será meu cacique amado (não posso nem falar pois me emociono), isso é uma coisa que vem na vida, que vem na história, que vem no caminho e não tem como mudar.

 Todavia eu nunca cometei nada com ninguém sobre essa presença de Ogum Megê em minha vida, nem com minha mãe Therezinha de Oxalá, nem com Pai Vinicius e nem com a Ana Lucia. As coisas foram vindo ao natural, até hoje o chefe cacique da minha casa é Ogum Megê, desde 1990 quando chegou na Mãe Ana, são 28 anos que ela recebe este cacique, isso me deixa muito feliz porque ela, hoje, é minha mulher, minha esposa e Yalorixá da minha casa.

Isso tudo é algo que está escrito e ninguém muda esta história, esta realidade. E viva Ogum!

Salve OGUM MEGÊ!